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antes do amanhecer quero ver-te mais uma vez, quero tocá-la de leve no rosto, acariciar seu cabelo de pássaro preto, e tocar na sua pele por baixo das cobertas. antes de partir, verei apenas lágrimas em seus olhos, e seu baton será manchado pelas minhas. antes de voltar, meu amor, não esqueças de colocar na bagagem minha alma...
Escrito por Mauro Cassane às 13h53
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diário de hoje...com chuva vespertina
Nesses dias que vão se passar vou escrever, pois há chuva no céu paulistano, e faz frio de Europa tropical nesse quase verão molhado, e agora penso que escrever é uma chance boa para se aquecer, para enxugar um pouco as lágrimas e tocar um mercúrio nas feridas. Lendo poemas escritos há algum tempo, são lembranças de um diário criptografado, tudo invertido. Blog é pra isso, mas não domino essa arte, e tenho um pouco de medo dos comandos que aparecem na tela. E não sei fazer muitas coisas, nem nome consigo dar a meu blog, pois o programa faz o que quer de mim e me sinto meio que um fantoche nas mãos insanas da internet. Mas como hoje a chuva está incessante, coloquei alguns poemas antigos, outros mais recentes, trechos de um diário em versos, talvez tudo seja apenas sonhos e nem sequer notei que estava sonhando. Porém, tudo parece, e parecia, tão real.
Escrito por Mauro Cassane às 13h16
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gosto de laranja....
ainda tenho sua foto, ainda tenho seu perfume, ainda tenho seu sabor em minha boca
ainda tenho seus cabelos no meu peito, ainda tenho seus pêlos em minha pele
ainda tenho seu olhar de carinho, ainda tenho seus cachinhos, ainda tenho sua boca
ainda tenho seu sorriso ao meu lado, ainda tenho suas covinhas, ainda tenho seus pés
ainda tenho seu queixo delicado, seu narizinho de porcelana, seus peitos e nádegas
ainda tenho as noites de amor, o suor, você deitada, você na rede, e taças de vinho
ainda tenho as caminhadas, você nas montanhas, na praia, nas pedras, nas cachoeiras
ainda tenho seu calor, seu sono, você descabelada, seu humor, sua tpm e seus caprichos
ainda tenho seu frescor, tenho o ferro de seu sangue, tenho as pintas e as sardas
ainda tenho sua barriguinha, seus lindos defeitos, seu bom papo, suas loucas manias,
ainda tenho seus passos mansos, seu rebolado maroto, seu jeito gostoso, sua meiguice
ainda tenho sua sensualidade, seus desejos, suas preferências, suas manias e rebeldias
ainda tenho sua consciência, seu acordar, sua escova de dentes, sua colcha bem quente
ainda tenho todas as lembranças, ainda tenho tanto amor por ti, que ainda te quero demais
(domingo 26 de janeiro 23h45.....
Escrito por Mauro Cassane às 13h04
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ainda em 2003...que louco dezembro!!!
Me chamas que te quero ouvir, me chamas
Para nada dizer, ou simplesmente sussurrar
Para me contar coisas, ou para me pedir beijos
Para sorrir, ou para chorar de longe
Me chamas, meu amor, me chamas com sua voz
De instrumentos de sopro e cordas, de acordes distantes
Me chame para que possa ouvir sua balada silenciosa
Sua música de amor, dor, e paixões vividas
Que por ti estarei sempre disposto, ouvinte
Cansado, ou caído, erguido, ou feliz
Para ti serei completo, ou todo aos pedaços
Serei eterno, sincero, e fruto de sua coragem
Um ato em mim, enredo de louco e morro em você
Uma peça perdida, sem palco ou ensaios
(terça-feira 16 de dezembro de 2003 14h10)
se o céu pudesse me contar alguns segredos,
perguntaria a ele apenas onde está o meu amor,
por onde andas, e se ainda se encanta com suas estrelas
queria saber se seu olho continua brilhando verde com a luz do luar
iria gostar de conhecer suas andanças lá longe,
suas angustias, e se sente saudades de mim,
se conheceu outra gente e se, alhures, ela pensa um dia em voltar,
não um retorno ao lugar que saiu, mas para meus braços de onde partiu
do céu também perscrutaria se sob ele minha amada
com seu jeito de espontânea e triste beleza
por outro alguém se tenha entregue em paixões vãs
mas tão certo como a vida e a morte nada a mim seria dito
pois céu, lua, espaço, sol e estrelas, até mesmo outros planetas
de mim podem gostar, mas são dela mais íntimos e confidentes
(quarta-feira 17 de dezembro de 2003 9h05
Escrito por Mauro Cassane às 12h59
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coisas do ano passado...
Dos lábios, gostaria de falar de seus lábios,
Aqueles que me tocaram, e que senti o frescor
Que me levaram à lua, que me despiram
E me encheram de temor e paixão
Dos lábios, de ti, deusa querida, minha vida
De delicada pele, feito fruta rara
Suave sabor, de vinho jovem
Doce selvagem como pólem campestre
Vivi por seus lábios, sonhos sem censura
Morri por teus lábios, profanos, sensuais
E inteiro me dou a teus caprichos
E toco suavemente sua boca que se cala
Diante dos medrosos, e das calúnias
E se faz tormenta na ira de seus olhos
(terça-feira 16 de dezembro de 2003 13h28)
Escrito por Mauro Cassane às 12h55
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coisas que mudam o mundo, não sei que mudam de nome, como mudam sei lá coisas que aparecem na gente, uma marca uma cicatriz talvez, muda tudo, muda o rumo
coisas que na gente diverte, tudo muda sem rumo, e diferente inverte todos os sentidos, e sente as coisas que não entendemos, e crente
somos dessas coisas feito barro que era terra, agora se molda em forma de coisas que mudam
e barro que somos, nos pisam mas também somos arte que ilude e encanta, somos a liga dos tijolos
Escrito por Mauro Cassane às 10h42
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Tatuado en su piel
En tu piel, me enrosco y me protejo, con tu sangre color del mar
Sujetado en tu piel, mi amada inmortal, de durazno y cereza
Soy un tatuaje tajada por el bambú de los monjes
Me convierto en cicatriz que adorna su regazo, y sujetado en su piel
Me doy cuenta que la muerte no me amedrenta, ni me mata
Me doy cuenta que hay sentido en sus más locas aventuras,
Y sentido en la vida que se vive en busca de los horizontes
Y susurro en cada poro suyo, te amo, te quiero...
En su piel, envuelta de la seda indígena, me disperso por todo
Como un contagiante virus sediento por su sangre de mar
Y busco sus labios tiernos, en el calor de su alma
Y recorro palpando en todas las direcciones, como un ciego hambriento
Un pordiosero de su amor, y cuento los pulsos de su corazón
Que para mí es un canto sagrado, una oda a mi ser sufocado
Pelos secretos de mi corazón, y en su piel, querida,
Me siento infame devoto de un mísero santo pagano
Y al infierno voy sin saber de los peligros, pues en su piel me siento en el paraíso
Y nada acredito, solamente me deleito en el suave calor de tu piel de durazno
En tu piel me sujeto y me protejo con su sangre color del mar
Que me entra en las venas hecho droga poderosa, y me faz partir sin andar
Espero su vuelta, mismo sin ida, y espero con mirada en todas las direcciones
Te espero amada, descalzo en la arena del mar, sintiendo su perfume a los vientos
Y si haber necesidad, subo en la cumbre de las cordilleras andinas para verte
Y gritar a los horizontes del mundo que necesito de su piel de durazno y cereza...
Escrito por Mauro Cassane às 10h37
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Duas covinhas e um sorriso
Das lembranças que me encantam, digo algumas, canto outras
As que canto, como música, são as cavalgadas que te vi dançando,
noutra te vi lá longe, em outra o cavalo disparou e meu coração tremeu
de medo por um perigo iminente, da perda de uma deusa tão linda.
Das que canto, feito canção mesmo, lembro-me de uma grande
pedra-altar que te vi repousar a ver o céu azul tão sereia, tão mar
e tão musa minha que guardei esse momento em quadro colorido.
E do sol, laranja de céu quase rosa, te vi no teto de um carro,
sentada na janela, depois em pé onde vi em seu ventre um ramo selvagem
Toco a gaita, na fogueira, e vejo uma montanha alta, frio intenso
e vinho que buscas sozinha sob chuva escura, sozinha doce heroína.
Mas seu abraço é quente, feito carinho de mãe, e sigo cantando
para que seus encantos vivam sempre em minhas lembranças,
como no dia em que te vi dançando sob as águas barrentas e
loucos fomos cavalgar sem cavalos para ver o sol se por ao contrário
Canto essas e digo outras, pois me encantam essas lembranças
Como no dia em que vi duas covinhas sob um sorriso social
E depois, um sorriso total, e choro e lágrimas, mas tudo tão
puro e fresco, que me parecia saído de fonte sagrada da terra santa.
Contaria para o mundo das noites frias e quentes, das coisas
passadas em verso e prosa, e tanta prosa que daria livro sem fim
e contaria também aos povos indígenas que vi uma imagem
gravada na pele, um velho guerreiro sob lua tão cheia de si
que pensei que fosse minha, de tanto que a beijei..
Um conto, um dia, uma poesia, cantaria tudo isso sem
harmonia, mas com tanto amor e força que minhas lembranças
te lembrariam das noites com cheiro de ferro e sangue,
de manhãs sonolentas, das montanhas, e praias, de cafés
queijo partido, pães e piscina, praia de areia grossa,
um tombo feio numa rampa boba, um banho, cachoeira
e garoa quente na avenida escura, e um beijo na Augusta
E perdidos e sem rumo, sem igreja nem nada, vivíamos
como subterrâneos nas escolas vazias dessa vida azul.
Escrito por Mauro Cassane às 19h34
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Começaria a tocar um violão agora, para ser um astro
pop star, um vulgar qualquer, ou um jovi que tanto te seduz,
misturaria um bop, jazz e rock, ben harper, nogueira e rifis
sem fim, para buena vista falar comigo sobre ti num taco
mexicano com tequila e limão. E você, ao meu lado, resfriada,
com medo dos carros quentes, medo de caminhão e tudo mais,
te abraçaria de novo, com a mão no pêssego de seu rosto,
te descabelando inteira, e tentaria dormir um sono dos loucos
te amando, te amando, e acordando para te amar, te vendo
dormir sem sono, dormir nua e indecente para me matar de sede
e amor. E beberia um vinho depois, te traria água no copo que
antes beijo para que coloque sua boca no meu beijo e volto, e
vou te ver novamente em meus braços. Mas acordo e você já
partiu para o outro lado, e te vejo conversando com um outro
qualquer e penso que és seu amigo, mas não é, não sei, e morro
aos poucos com minhas chagas e feridas e fico doente ao te ver
sorrindo com alguém que conheço, mas volto nas lembranças
doces de um carro parado na relva úmida, de uma madrugada fugitiva
e de danças alucinadas, e os quadros me olham na parede, e o grande chefe me fita nos olhos, e aquela grande lua azul, às vezes bronzeada
que beijo sem pudor, beijo novamente esse índio mal-humorado que
me olha feio de ciúmes, mas o beijo na boca, e beijo com tanto amor
e desejo e ele continua ali, sério, imóvel, e a lua me abraça e o suor
seduz o lençol que ainda mostra a mancha de sangue apagada...
Eu tocaria novamente essa canção, mas há outras lembranças
Então, farei uma nova nota musical, para ser um Johnson ou surf qualquer....
Escrito por Mauro Cassane às 19h34
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Hoje é um domingo meio sonolento e triste, como os domingos devem ser. Mas hoje uma voz me disse algo ainda mais triste que a tristeza do domingo sonolento e triste, e me disse coisas que me deixaram descrente na vida. E essa voz, de tão longe, e tão perto, me disse isso sem pensar, disse apenas por dizer, apenas para externar uma vontade própria de momento. Mas hoje é domingo e todos os domingos são meio bobos, e eu me senti triste por essa voz ter me dito isso. Então ouvi uma balada do Bon Jovi e li umas páginas do Kerouak, mas a voz de longe ficou na minha mente, não exatamente nela, acho que no coração. A balada romântica toca no rádio do carro, e o livro fica jogado no banco vazio ao meu lado, um banco esperando algo, alguém, alguma coisa. Um banco que um dia esteve comigo para ver um pôr do sol contente, é isso que eu queria que o sol fosse: contente. Quando ele se atira no horizonte, a gente fica um pouco triste, e não sabemos quando ele vai voltar. E se ele ligasse dizendo: "não vou mais voltar, não gosto daí". Qual seria nossa reação? O sol que nos ilumina, nos dá a vida, realiza a fotossintese, aquece nossas peles frias. E, numa ligação, apenas nos diz que não vai mais voltar. E a gente lá, no dia anterior, vendo ele se deitar e lá se foi ele pro outro lado dos oceanos, e por lá quis ficar só porque lá é melhor que aqui. Eu chorei ao vê-lo partir, alguma coisa me dizia que ele não ia mais voltar, mas eu também havia sonhado com isso um dia. E ele se foi, e os dias ficaram negros, e fazia muito frio, o coração congelou e todos ficaram assim por um tempo. Mas, no meu sonho, ele voltou e nos abraçou, pois ele nos ama muito e não conseguiu ficar por lá. Mas ele voltou porque sabe que pode partir todos os dias, e pode voltar também. No meu sonho, que é só meu, ele voltou porque eu lhe disse que a gente iria juntos para muitos lugares. E eu cumpri a promessa. O sol vai voltar, ele não deixaria sua gente morrer de frio e no escuro.
Escrito por Mauro Cassane às 17h55
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