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um minuto
Meu amor, penso em ti na melancolia das horas
que se passam em minha solidão, sinto saudade
de nossa pureza, escondida agora nesta caixa fria.
Podes até me esquecer, são coisas da mente,
é tão normal para toda gente, demasiadamente
humano olvidar aqueles beijos, o toque sutil em
sua face, meu repouso em seu ventre, minha agonia
diante de sua febre, e nossa volúpia no carro e na cama.
Meu amor, ouço sua voz em minutos tão nobres,
nada te vejo, nem mais seu cheiro sinto, pobre de meus
dias que conto em ausências tristes, sonos arredios,
ah, minha doce Pequeninha, se eu pudesse hipnotizar
seu coração delicado, acariciar suas pálpebras e abraçar-te
com paixão, talvez me fizesse lembrar, só por um minuto apenas...
Escrito por Mauro Cassane às 23h16
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Pequeninha e Vinícius de Morais...
Agora a noite de sábado se debruça lentamente no hemisfério sul, neste canto esquecido da cidade de São Paulo, e a solidão é a minha silenciosa companhia. Li "Diários", de Kafka, por uma hora, e me sinto animado em saber que, no passado, tive companhia. A angústia acompanha nossos corações. Passeei, entre os blogs de amigos, e me detive em algumas colagens de Roberta Cavalcanti (http://www.robertacavalcanti.blogspot.com), e lá estava algo tão espelho de minha alma que não me contive e vou reproduzir aqui o trecho que tem tudo a ver. É de Vinício de Morais:
"Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
Escrito por Mauro Cassane às 21h03
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Nuances do amor....
Uma tarde letárgica e quente embaralha as coisas em nossas mentes. Ultimamente ando refletindo repetidas vezes sobre o amor. Penso que realmente é algo difícil. Se não amamos ninguém e passamos a conduzir nossas vidas como autênticos cafajestes, ou seja, mentindo pra uma, seduzindo outra, fazendo promessas loucas para aquela gostosa, e levando a vida, e pouco se importando com essa coisa de amar, um dia nos deparamos com nossa imagem refletida no espelho, e aí é o juízo deprimente, a questão do vazio. Mas, muito embora seja estarrecedor esse conflito, gozamos por muito tempo, e talvez nem vamos nos importar com máculas deixadas, feridas abertas em corações alheios. Damos um foda-se espetacular aos outros.
Muita gente vive assim. Homens e mulheres, antigamente mais homens agiam assim. Hoje tá tudo bem balanceado. Também podemos simplesmente não mentir a ninguém, não enganar ninguém, e não amar ninguém. Saimos e achamos aquela que serve para uma boa transa, e tentamos jogar um charme, e conversa afiada, e há uma boa chance de sexo em sentimento algum, ou seja, com um bom sentimento de tesão. Falo como homem, mas isso serve para mulheres. Aliás, no caso feminino, tudo fica absurdamente mais fácil. Qualquer homem que goza de perfeito juízo deseja transar com uma garota. Então, para uma mulher, basta lançar um olhar, dar uma pequena abertura, e pronto, lá está o cara, o alvo, à disposição para uma boa noitada de sexo. Nem precisa ser bonita, há homens disponíveis para todo tipo de garota. Se for razoavelmente bonita, então, nem precisa ser excepcionalmente linda, mas só dentro da razoabilidade, já é possível obter todo espectro de homens (brancos, negros, altos, magros, gordos, lindos, feios, românticos, intelectuais) para suprir o que quiser com sexo ou similares. Homem, até mesmo os mais belos, precisam de algumas investidas para esse propósito. Mas ainda assim são bem sucedidos.
O amor, então, parece meio fora de moda. Me amedronta isso nessa tarde letárgica de sábado. Mas há algo que me deixa ainda mais assombrado: amar demasiadamente alguém, e não saber, sequer, se esse alguém te ama da mesma forma. Há aqueles que amam e não são amados, e quando isso fica bem claro, esse amor vai se diluindo, se derretendo, até formar algo forte e firme diante de um possível amor correspondido. Portanto, amar e não ser amado nem é tão ruim, é um risco, mas passa, isso passa. Amar e ser amado, na mesma intensidade, esse é o melhor dos mundos. Oh, como é bom ter saudade, e saber que ali, do outro lado, também alguém tem muita saudade de ti. Como é bom escrever uma carta e receber uma. Como é bom mandar uma mensagem e receber outra. Fazer uma ligação telefônica e também receber. O amor, sano, puro, delicioso, é assim. Mas esse, infelizmente, anda tão desacreditado, não no mundo, mas dentro de meu coração. Esse é o que eu mais queria para minha vida intensa, impulsiva e louca de vontade de imprimir cores e sabores. Bem, há a opção de não amar. Mas não é uma escolha sua. Agora, entre todos os sofrimentos que o amor pode lhe causar, nunca queira passar pela dúvida, cruel e silenciosa, de não saber se é ou não amado, ou amada. Essa tarde letárgica de sábado, a vida soçobra num mar inflamado, e eu penso sobre isso. E pensar, só de pensar, já é uma chaga.
Escrito por Mauro Cassane às 19h41
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Meu programa predileto
Do sofá, assistindo um programa idiota na tv, eu noto a porta entreaberta do banheiro. Lá está ela, no boxe, tomando seu banho com sabor de laranja. Sempre adorei aquele perfume cítrico louco, que me deixava alucinado nas montanhas quando o senti pela primeira vez. Estávamos numa cabana, o céu escuro do dia não convidava a nada, o frio suado da tarde, e um vento com cheiro de grama queimada, misturado com leite ou queijo, zunia na porta e balançava um pouco as madeiras rachadas. Na cama, ela dormia cansada de uma viagem de horas, de conversas demoradas durante toda a manhã com doentes mentais que dirigiam empresas, e eu ali, lendo um pouco de Neruda, livro dela, não meu, mas eu lia tudo dela, ouvia suas músicas e tudo mais. Ela acorda mas nunca abre os olhos, apenas me puxa para perto daquele corpo macio, e pede para beijá-la ronronando e fazendo manha. Eu a beijo, mas o beijo me remete a outro, e a toco, a desejo loucamente, e a beijo o corpo todo. E ali, naquela cama estridente, com madeiras rangendo por todos os lados, e a lareira apagada, mas cheirando carvão, transamos até o manto negro da noite cobrir toda montanha.
Ela vai ao chuveiro, nessa hora que senti pela primeira vez o doce perfume da laranja silvestre, oriundo de um frasco com a cor da fruta, ela se banha e se perfuma com ele. Me enlouqueci. Transamos no chuveiro com laranja em minhas narinas, e o cheiro de sangue ferroso em nossos poros explosivos. Depois comemos pelas ruas vazias da cidade quase fantasma, andamos sem destino e sem nada, apenas embalados pelo vinho e pela vontade de andar lado a lado, pouco falamos, apenas andamos, ora de mãos dadas, ora abraçados, ora quase pelados no frio intenso, pelados em nossas paixões bêbadas. E agora, um ano depois, não consigo prestar atenção nesta tv, nunca presto, nunca presta mesmo nada que vem desta porcaria eletrônica. Mas ao meu lado, quase tão perto que daria para tocá-la, ela dança sem notar no seu banho de iara, a água parece cantar para ela ao escorrer e massagear seu corpo de fruta, e eu me inclino mais ainda para sentir toda aquela magia louca, para absorver aquele momento sagrado e puro, o banho cítrico da criatura mais linda da terra. Ela se acaricia com o perfume celestial de laranja. A tv me chama, o apresentador implora minha atenção, coloca mulheres nuas, passa um filme com orgias, mostra um louco comendo carne humana, mas não consigo mais pensar em outra coisa senão naquela linda cena do boxe do banheiro. Sonhei com aquilo depois, e por muitas outras vezes. No fim, ela me chamou, me pediu a toalha. Ela sempre me pedia a toalha branca, que sempre estava no varal. E eu sempre procurava no lugar errado, só para ele ficar um tempo a mais naquele lindo altar do banheiro, meu melhor programa noturno.
Escrito por Mauro Cassane às 23h12
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dissimulado...
Olha minha tristeza agora, veja como ela cala
ao te ver partir, todas as vezes, nas noites sujas
e me despeço de ti, com lágrimas secas, e não
choro mais, é meu disfarce de homem forte.
Olha como agüento calado você ir embora,
nem te dou tchau e finjo olhar para outro lado,
penso em outras moças, peço um gole no bar
e pisco para aquela primeira que eu cruzar.
Você não sabe, e eu não vou te dizer, mas
tenho um travesseiro que se parece com você,
tão macio e suave algodão, eu o abraço insone
e penso no suor sagrado de noites delirantes,
no calor benzido daquela cama gritante, oh
sentidos eternos, não posso nunca lhe dizer...
Escrito por Mauro Cassane às 13h39
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Vem uma pessoa, vem de longe, a gente a vê, mira seus olhos, se encanta. De alguma forma alguém a trouxe, ali está ela bem na sua frente. O tempo passa, você a observa. Que pena que és bela. Poderia ser simplesmente comum. É tão perfeita pra ti, seus olhos, seu caminhar, seus sonhos. Mas tem um defeito, é bela. Fosse ela mais simplesmente normal. Poderia ser um pouco mais gordinha, talvez coxa de perna. Mas, de propósito, és bela, brilha com seus cabelos e olhares, com seu jeito insinuante. Mas não é seu corpo que ele vê. É seu jeito de mulher, sua voz aveludada, suas ambições naturais, e sua natureza tão pura. Seu jeito meio selvagem, sua coragem e espírito guerreiro, e o coração do bem, com um sabor de amor e cravo. Eis que ela assim te olha, vocês caminham juntos por tantas calçadas e parques. Brincam, conversam e viajam. Nasceu um conto, um poema, nascem algumas palavras jogadas na tela. Você vai com ela ver as estrelas, a tira da chuva, cobre suas costas frias, massageia sua canseira e ombro ferido. Você a carrega no colo nos dias ruins, defende sua moral com unhas e dentes, e a protege do todo mal presente. Sim, pensa consigo, é ela, é ela que eu tanto esperava. Oh, Deus, mas tinha que ser ela assim tão bela? Por ser bela, sempre a ela, outros olhos miram e desejam, tantas palavras vêm do nada, elogios e tantas paqueras. Não podia ser ela simplesmente comum? E se ela chora, você recolhe aquelas lágrimas, as guarda com carinho. Canta pra ela na areia, diz que a ama um dia. E ela, de tão bela e amada, desejada e querida, resolveu em outro dia também te dizer "te amo". Ah, a magia, tão esperada magia, explode em seu coração cedente e você perde um pouco o equilíbrio. Mas o mundo tem lá seus caprichos, e nem tudo é bonança, há as tempestades e os terremotos, há as guerras e os espinhos. Por mais amor que tenhas no peito, os infortúnios estão aí, atrás do muro. E na correnteza eu a segurei, no incêndio a protegi, quando ela caiu eu a levantei e quando não pôde andar eu a carreguei. Mas também tive meus maus dias, também espirrei e me gripei, também cai e escorreguei, e então ela se foi.
Escrito por Mauro Cassane às 17h28
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Sua semente
Foi sua semente que germinou nesse meu coração
de trigo, e ouvi seu canto da chuva, sua dança mais
fértil. Veio sua água e seu ferro, sua terra e seu adubo.
Tudo de ti fez em mim brotar esse amor de castelo.
Fortaleza inexpugnável, com suas toras e rochas duras
Veio de ti a magia branca, a cor do jardim e o brilho
das frutas cítricas. Um feudo inteiro, com celeiro e vacas
e cavalos, com alimento e as parreiras de mel e vinho.
Veio de ti o pão sagrado, o circo, e de ti meu sorriso de viver.
Sua semente, rica e crente, fez em mim nobre altivo,
decente nas minhas dúvidas e erros, prudente no meu caminho
E hostil com os invasores, herói por ti presente. Veio
de ti, por graças das fadas, dos deuses e outros seres potentes,
minha vida de amor e glória, e meu abismo com cheiro de fel.
Escrito por Mauro Cassane às 15h13
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As mulheres, e a mulher...
Mulheres lindas, são várias, todas com suas
feminices impermeáveis, fêmeas de puras formas
tão belas em suas poses, com seus lábios, e corpos
e suas doçuras insinuantes. Tão mulheres, e meninas
que a nós, oh sim, a nós, encantam sem força ou
vontade. Nos cabelos, curtos ou longos, vermelhos,
verdes, e até brancos, a moldura misteriosa da face
de uma musa eterna. Ah, as mulheres, com aquele caminhar
de cada uma, balançante, rebolante, vigoroso ou
despercebido, mas todas, com suas plenas vicissitudes
e trejeitos sensuais. Sim, as mulheres, mesmo as que
brincam de homem, ou até como macho se comportam,
ainda belas são tão vistas. Seus corpos, de caprichosa
maciez, de uma textura angelical, merecem o carinho
mais celeste, e beijos apaixonados. A todas elas,
as que me miram, ou me ignoram, das que converso,
ou que nada me dizem, daquelas que vejo, ou nunca
vi, ofereceria um pedaço azul do céu. Muitas não me querem,
algumas me desejam, tem aquelas que me entesam, e as
que a todos são formosas, há as que fantasiamos, e as que
nos botam medo, mas entre todas elas, das mais belas e tão
singelas, só a uma dedico meu amor, minha paixão,
minha paquera, meus versos e toda a esfera
de minha vida nesta terra.
Escrito por Mauro Cassane às 20h44
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