Tão longe, tão perto


A saudade cortante

Estas longe de mim, meu amor, não te vejo

Queria não contar os dias, mas conto as horas

Seria bom se não te amasse tanto, não sentiria

a saudade me ferir com suas lâminas afiadas

 

ah, o amor, cantado em verso e prosa por loucos

e poetas, delírio dos mortais, gozo dos deuses,

o que posso esperar de ti, sentimento confuso

que me contaminou da raiz à copa, diga-me

 

se fosses tu matéria viva, te trituraria

mas és fermento indócil e cresces como capim

grassa por toda minha vida, lágrimas e dor

 

mas vejo aquelas covinhas na face de pêssego

miro a esmeralda dos olhos de vivo brilhante

apenas em fotos, imagem dormida, paixão sem fim...



 Escrito por Mauro Cassane às 22h09
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Te vejo em tudo, mas não tenho nada

Das lembranças, meu amor, que tanto me encantam

agora também me ferem e assombram,

Vejo seu sorriso e covinhas tão puras

nos quadros cinzas que enxergo com o sol

Te vejo na feira, na banca de flores,

na farmácia, comendo pastel ao meu lado

te vejo nas caminhadas, nas esquinas vazias,

e em todos os amores que assisto por aí. 

Te vejo na porta, me beijando com paixão,

Te vejo nos cafés da manhã, no bosque, na praia,

cavalgando, no carro ao meu lado, na cama,

no drive, e na grama. Ah essas lembranças

não me abandonam, tão doces que me fazem

sorrir, tão cruéis agora, consomem minhas lágrimas

Te vejo nas músicas que tocam, nos parques da cidade,

nas pontes, no trânsito, na noite cintilante,

nas fases da lua e no céu cor de barro,

Te vejo, Pequeninha, passeando ao meu lado,

sorrindo comigo, ou rindo de mim, ou chorando

em meus braços. Ah essas lembranças,

tão doces, agora tão amargas.

Te vejo no pet shop, no lago, na cachoeira,

na pedra, no fogão, na pia e no chão. Te vejo

ao banho, no sofá, no computador, na televisão.

Te vejo nos contos, nos poemas e nos livros

mais ensebados. Te vejo nas pizzas, nas massas e

nos vinhos. Sim, meu amor, te vejo de bruços

ao meu lado, deitada, enroscada, debruçada,

ajoelhada, esticada. Te vejo com preguiça gostosa,

com sono, louca, nervosa, preocupada, mal humorada,

feliz, de tpm e de bem comigo de novo.

Te vejo nas pradarias, nas romarias, padarias e em todas as

manias de minha vida. Ah, essas lembranças, Pequeninha,

essas lembranças. Pois também te vi partir, sim,

meu amor, também te vi partir. E nunca mais te vi.

Me restam as lembranças, e mesmo ferido,

ainda tenho o sagrado elixir da esperança...

 



 Escrito por Mauro Cassane às 11h40
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O grande idiota

Havia tempos que não a via, não nos falávamos mais. Me sentia estranho sem ela, na verdade totalmente só mesmo diante das pessoas que me cercavam. Saia, bebia com amigos, tentei conhecer outras garotas. Mas não sentia nada. O amor cria uma trava na gente, somos fiéis involuntariamente. Sem ela, sem a presença maravilhosa de seu hálito perto de mim, sem vê-la dormir um pouco mais nas manhãs frias de inverno, sentia a saudade desesperadora bater na porta de minha alma todas as horas. Formei meus planos de ação que se baseavam em divertimento para tentar esquecê-la por algum tempo. Mas quanto melhor o lugar que eu ia mais eu lembrava dela, mais eu queria que ela estivesse ali comigo.

Viajei, botei o pé na estrada, sai sem destino. Só que as montanhas, o miserável pôr do sol, a lua cheia, a porcaria do céu estrelado, o cheiro de madeira queimada, o fogão a lenha, vinhos, cabanas...tudo me lembrava ela. Me restava então procurar suprir minhas carências com outras garotas. De preferência as mais lindas, lânguidas e atraentes. Julguei que esse recurso me faria, ao menos, não pensar tanto nela.  As putas me deprimem. Tentei as vias normais. A conquista. Estava enferrujado, não tinha paciência para conversa fiada. Me dei mal diversas vezes. Odiava futilidades e bebedeiras e aqueles beijos bêbados movidos apenas pelo tesão. Em pouco tempo abortei esse plano também. Acho que foi até bom pra mim.

Um dia uma linda garota se aproximou numa festa idiota que fui. Odeio festas de uma maneira geral. Fui por me sentir fodido mesmo, e sempre buscando meios para sofrer menos por amor. Era charmosa, de rara beleza, pele alva, falava suavemente. Inteligente e sensível. Conversamos por horas. Era chilena, mas eu a entendia bem. O problema era a sonoridade do castelhano, que sempre lembra Neruda, me trazia a imagem dela. Que diabos. A moça falava, me contava sobre filmes argentinos, sobre a ditadura chilena, sobre Chico Buarque, e eu pensando na Pequeninha. O vinho sempre arrasta a conversa para o sexual, no mínimo, para o sensual. Toquei no assunto de praias. A chilena se animou. Pensei em convidá-la para irmos juntos à praia, e tudo nela, do sorriso ao olhar, estava pedindo que eu a convidasse. Só um tolo, eu mesmo, não faria o convite. Só um tolo, sim, eu mesmo, não a beijaria naquela noite mesmo.

Resolvi botar gelo na conversa. Olhei para os lados, acho que fiquei com cara de incomodado, e ela notou. Um amigo chegou perto. Ficamos numa conversa a três. Esfriou tudo. Já era tarde. Queria fugir dali. A moça ficou um pouco desnorteada, mas não perdeu a elegância, mesmo com a timidez natural visivelmente abatida pelo vinho. Inventei uma estúpida desculpa que precisava ir, pois acordaria muito cedo no dia seguinte. Ela mal respondeu, apenas lançou um sorriso amarelo. Meu amigo fez as honras da casa. Terminou a noite com ela. Me contou depois, essa é a parte do joguete sexual que o homem mais adora. Me  disse que foi uma das mulheres mais sedutoras que conheceu. Essa é a vida, e ainda não me encaixo nela.

Mas ontem vi, de longe, meu amor. Meu coração quase escorrega para o estômago. A emoção tomou conta de mim. A vi num bar, uma espécie de pub. A vi pela vitrine. Não me deixaram entrar, era só para convidados. Acenei pelo vidro. Ela respondeu com um gesto ligeiro e meio dissimulado. Com uma mímica simples sinalizei que queria conversar um pouquinho com ela. Ela veio até o vidro e pediu para eu esperar, pois estava tratando de coisas importantes com seu grupo. Esperei sentado na sarjeta, feliz da vida para dar um abraço nela e ouvir a voz dela por alguns minutos. Fiquei ali um tempão, sozinho. Ela não saiu pela porta. Nem a vi sair. Olhei pela vitrine, não havia mais ninguém no bar. Tudo vazio. Estava fechado. Essa, ainda, é a vida. E esse, eu mesmo, continuo sendo, um grande idiota. Um dia me curo, sim, um dia me curo.  



 Escrito por Mauro Cassane às 11h22
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Sobre amizade, cachaça e amor...

Encontrei um amigo e bebemos por horas num bar. Sim amigo. Parece estranho, mas ainda é possível encontrar amigos hoje em dia. Isso vai se tornar obsoleto um dia. É melhor aproveitar. Até bar virtual já tem por aí. Não desprezo os amigos virtuais, aqueles que só encontramos no msn ou em sites como Orkut, claro que não. Afinal, eis aí a amizade do futuro. Estamos vivenciando mais uma mudança louca e histórica da humanidade. Não percebe quem não quer. Muita gente, como eu, passa mais tempo com os amigos virtuais que com os reais.

Amigos virtuais são mais práticos. A gente se cansa deles e simplesmente bloqueia no msn. É um “ficar de mal” mais tecnológico. Mais moderno. Nem precisa dar muita explicação. Quando quer rever, basta desbloquear e pronto, lá está ele brilhando em sua tela. Isto é, se ele não te bloquear também. Aí é uma confusão dos diabos que não entendo nada. E não sou a pessoa mais indicada pra falar a respeito. Ainda não sei nem como bloquear alguém, só me disseram que dá pra fazer isso.

Porém ainda não inventaram o sentimento virtual. Que bom. Então a gente sente apreço por amigos virtuais. Mas a gente não liga para os amigos virtuais quando estamos com problemas, nem os convidamos para festas nem para enterros. Fica tudo na esfera cibernética. E expressar sentimentos e sensações também ficou mais prático. Com os emoticons, esses mitológicos  seres dessa nova era, agora nem precisamos mais nos preocupar com a escrita. Para sorrir, ficar triste, surpreso, puto, e sei lá mais o que, basta clicar numa carinha e pronto, o recado foi dado com sucesso.

Sem essa loucura toda de contatos virtuais, eu não conheceria muita gente boa. Ah, isso é verdade. Nem tampouco teria um blog, muito menos leria coisas legais nos outros tantos blogs de qualidade que pipocam por aí. Conversei tudo isso bebendo cachaça mineira com meu amigo real que, curiosamente, não tem nenhum amigo virtual. Ele é um sujeito raro, mais anacrônico que eu, e tem verdadeira ojeriza por tudo ligado à internet. Só entra em sites de notícias e abre uma exceção para ver mulheres nuas também. Nada além disso. Já ouviu falar de Orkut mas não quer nem saber do que se trata e pra que serve. Tá bem feliz com a realidade dele. E eu fico feliz com isso também. Que bom ter um amigo assim. A conversa flui ao sabor da vida, de mulheres, amores, aventuras e sonhos. E cachaça. Ele gosta de fumar um baseado sempre. Umas tragadas antes e outras depois das cachaças.

Bom sujeito esse meu amigo. Já foi casado, hoje é perdidamente apaixonado por uma garota linda. É uns pares de anos mais jovem que ele, e os dois se amam. Estão felizes. E ele sai comigo uma vez por semana. Ah, claro, ela não vive sem internet e tem centenas de amigos virtuais e íntimos amigos no msn.

Mas o ama de verdade. Ele é um sujeito feliz. Não entende muito minha situação surreal. E critica com veemência minha postura. Nunca leu meu blog, nem nunca vai ler. Acha isso tudo uma grande tolice. Principalmente quando lhe disse que escrevo contos e poemas inspirados em meu amor. Não se conforma que posso amar alguém que sequer sabe se eu ainda respiro.

A conversa vai varando a madrugada. Ele nunca tem pressa. Sempre tem tempo. E não pára de pedir cachaça e cerveja. Não agüento muita bebida. Falamos de amizade. Não da virtual, que ele nem tem opinião formada, mas da verdadeira mesmo. Ele é um bom filósofo, principalmente quando bêbado. Me diz que quando jovens temos dezenas de amigos e que, depois, com o passar dos anos, eles vão sumindo naturalmente. Não deixam de ser amigos, mas vão se desbotando. Seria algo assim, ele gosta de quantificar, aos 20 anos temos cerca de 50 bons amigos. Aos 30 esse número baixa pela metade. Com 35 anos contabilizamos uns 10 amigos. Completando 40, sobra meia dúzia. Aos 50 anos, com sorte, mantemos uns 3 bons amigos. Depois vai depender do esforço de cada um de fazer uma renovação. Na velhice, então, aí basta freqüentar aqueles clubes ou encontros da terceira idade e voltamos a níveis colegiais de amigos...uns 50!!! E ele conclui: “amigos são bons, muitos chegam outros tantos partem, a vida é assim. O importante, caro amigo, é amar”. É, eu sei, mas agora tenho mania de acrescentar: “e ser amado”.

 



 Escrito por Mauro Cassane às 16h03
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Minha inseparável e adorável companheira...

Tenho uma boa companhia, e está ela comigo diariamente. Chama-se lembrança. Durmo e acordo com ela. Acho que posso até sintonizar alguns sonhos acionando-a enquanto durmo. E, nos sonhos, a gente confere poesia e fantasia às lembranças. Para me sentir melhor, numa espécie de paliativo contra a dor de um amor distante, gosto de descrever essas recordações. Há um sabor especial em cada uma delas. São como tijolos utilizados para erguer o grande castelo que hoje me encarcera no sótão. Amor de verdade é assim mesmo: um imenso e idílico castelo com seus jardins e salões imperiais.

 

Eu construí o meu, mas hoje estou sozinho aqui dentro. Comecei a amar de jeito trivial. E saboroso. Quem nunca namorou no carro? Fiz isso tantas vezes e tenho comigo a doce sensação de todas elas. O rádio ligado, ou um cd tocando algo gostoso. Émerson Nogueira. Isso, ele mesmo com suas melódicas e afinadas interpretações dos clássicos do rock. Ela se ajeitava no banco, virava-se de frente pra mim, deitava-se sobre meu peito, e ficávamos horas assim. A lua, muitas vezes brilhante e arrogante lá em cima, jogava um facho de luz iluminando aquele semblante puro, harmonioso. Parecia uma cena de cinema. Aquele par de olhos feito duas pedras preciosas, esmeraldas mesmo, a face cintilava e um ligeiro sorriso exibia duas covinhas sensuais. Sua boca macia murmurava alguma coisa, eu a beijava.

 

Preciso confessar minha ingenuidade, talvez inexperiência de vida, mesmo contando algumas décadas de idade, mas eu acreditava que aqueles carinhos seriam eternos. Um dia ela me disse, também no carro, “eu te amo”. Meu coração disparou, tive a sensação de ter engolido alguns cubos de gelo. Amor? Amor mesmo? Sim, ela me disse que era amor. Aconteceu numa tarde fria de primavera. Lembro dos olhos, da boca, da roupa e até do cheiro dela naquela ocasião. Ah, Deus, de onde inventastes Tu essas lembranças?

 

Disparávamos zunindo com o carro para curtir o máximo possível, e nos bastava apenas um lugar com tenra luz, de preferência com vista para o céu, pois o facho da lua era algo imprescindível. O carinho incessante naquele rosto de pêssego, meus dedos feitos de escova de rebeldes cabelos. Nada além de amor. Simplesmente amor. E eu sempre a assistia caminhando nas tardes mais melancólicas, e me deliciava com seus passos, seu velho jeans e chinelinhos bem gastos. Uma garota deslumbrante aos olhos dos demais, para mim, um anjo. O amor é a mais linda e cruel insanidade. A amei desde o primeiro beijo, e ainda hei de amá-la até seu derradeiro gozo.  



 Escrito por Mauro Cassane às 11h57
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Se amas, és um insano

Sim, amor meu, sou um lunático virado

Louco apaixonado, sem cura, nem eira

Internado no hospício de meu bem querer

Que abraça o travesseiro imaginando você

 

Seu fã de verdade, voyeur de seus dias

Te escrevo poesias, beijo suas cartas

Coleciono fotos suas, fantasio um abraço

E até sonho passeando de mãos dadas

 

Quero cuidar de ti, sem nem te ver,

Sinto saudade, e sequer sei onde estás

E grito boa noite ao céu para o eco alcançar

 

sua alcova tão longe, e te passar a mão no rosto

tão perto, que sinto a textura suave e o cheiro

de laranja, tão longe, e te amo, tão perto...



 Escrito por Mauro Cassane às 16h42
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Tenho mais de cem amigos, me sinto tão só...saudade de ti, Pequeninha

Cultivo um hábito novo. Leio blogs autorais que pipocam pela net. Sim, desculpem o pleonasmo, uma vez que blogs só poderiam estar na internet e não em outro lugar. Foi proposital. Dedico alguns minutos por dia, na parte da manhã, e no final da tarde, para ler esses espaços privados. Há quem escreva coisas de grande qualidade literária, outros são bons críticos e ensaístas, muitos fazem do blog um diário bem humorado e criativo, outros comentam notícias de maneira contundente, e outros ainda, acho que uma grande parte, redigem imbecilidades.

Há também aqueles que visitam os blogs e pedem pra gente visitá-los. Simplesmente saem visitando um monte de blogs, deixam comentários/convites esperando que a visita seja retribuída. Eu sempre retribuo essas visitas. Mas não por educação, nem tampouco para divulgar o que escrevo, posto que sou o cara mais reservado do mundo com relação a este espaço que dedico a meu amor. Visito porque gosto de conhecer gente nova que está escrevendo. Gosto de ver poemas, contos e loucuras escritas. Gosto de ver o estilo, saber se a pessoa manda bem. E alimento um sonho: reunir um dia uma turma de novos escritores, gente de talento mesmo, e discutir como obter espaço para ser publicado no Brasil ou até fora daqui.

Quem sabe até, aí o sonho não tem limite, criar um novo movimento. Ora, os modernistas, sem internet, sem computador, fizeram isso. Por que será que hoje em dia, com tanta facilidade de comunicação, as pessoas se afastam mais e mais? Penso seriamente nisso. Agora todo mundo tem uma porrada de amigos virtuais. Vejo no Orkut, acho que não preciso dizer o que é isso, e a maioria das pessoas ali ostenta uma lista de mais de uma centena de amigos. Inclusive eu mesmo. Reflito sobre isso e penso: “será que tenho mesmo tantos amigos assim?”. Claro que não.

Cheguei a mais de uma centena de amigos no Orkut porque queria formar um grupo de escritores e poetas novos. Entrei em algumas comunidades afins, e deixei posts e essas coisas. Muitos me adicionaram, e tudo mais. Porém, parou por aí. Amigos virtuais, com raras exceções, não vão além da virtualidade. Antigamente, sem Orkut, sem net e essas coisas maravilhosas da comunicação, os amigos eram mais amigos. Até mesmo amigos distantes, que se correspondiam por meio das cartas. Inclusive o amor distante era mais eficiente. Hoje tem messenger, Orkut e sites similares, e.mails. E, curiosamente, as pessoas estão mais afastadas, mais distantes. Em vez de aproximar, todos esses recursos parecem afastar ainda mais. Ou seja, ficou fácil demais de se contatar as pessoas queridas, principalmente as que estão distantes, porém, algo misterioso mantém tudo no limbo da virtualidade fria. Deve ser algo diabólico isso.

Ainda prefiro as cartas escritas à mão. Ainda prefiro uma ligação telefônica. E só abri mão da máquina de escrever porque as teclas do computador são mais macias. Mas, acabei de fazer 40 anos, e me sinto um pária deste louco e moderno mundo onde as pessoas se amam, são amigas e até transam com os dedos no teclado e o olho colado no monitor. Ah, agora só pra fazer uma rima bem pobre, mas com um propósito muito pertinente, “que saudade de meu grande amor”.



 Escrito por Mauro Cassane às 12h05
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te espero sim...

Vou te esperar ao sabor do vento,

Mesmo com a esperança perdida,

Olho o céu, manto de nós todos

Caminho pelo mar que nos amamos

A mesma água toca seus pés aí distante

Vou te esperar, meu amor, ainda há vida

Te disse que não contaria os dias,

Conto apenas as lembranças, são tantas

que preciso então das horas todas

Espero sua volta no gosto de seu beijo

Te imagino aí tão longe, Pequeninha querida

Sua beleza e imperfeições tão divinas

Vou te esperar, meu amor, todas as noites

No calor, no frio e na suavidade das manhãs

Tento me livrar da saudade mais sentida

Olvidar um pouco sua voz de avelã

Com sua ternura correndo febril por minhas veias

Se doente fico um sopro seu cura minhas feridas

Por isso vou te esperar, meu amor, cheio de paixão

E com vontade de te abraçar, te esmagar
te encher de beijos, carinhos e colher seu tesão

aveludado para extrair o bálsamo de meus sentidos

Ah, vou te esperar, Pequeninha, minha doce Frida

Não sei como viver nem tampouco morrer sem ti

Vou te esperar , me escondendo na solidão

Te deixando assim mais livre, te assistindo

sem te ver, e te beijando todos os dias

em meus silêncios e ausências

Vou te esperar, vi sua partida

De tão perto, fostes pra longe

Te espero, com esperança erguida  

 

 

 



 Escrito por Mauro Cassane às 00h24
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